Fica difícil
levar a vida com base no Carpe Diem. Realizar com um mínimo de boa vontade e
bom humor as obrigações cotidianas e chatas da vida já é bem complicado. Agora
imagina o tal do Carpe Diem martelando na cabeça, te dizendo pra aproveitar o
dia enquanto tem uma pilha de pratos pra lavar, uma pilha de livros pra estudar
e outra pilha de cocô de hamster pra limpar.
Comigo, Carpe
Diem é sinônimo de culpa diária. Esforçar-me pra ter sempre o dia mais
produtivo e proveitoso e divertido é estressante. (Sei que isso provavelmente é
fruto de uma má-interpretação da tal frase latina, mas é assim que ela funciona
comigo e é disso que eu posso falar).
Se for pra
escolher uma expressão latina como filosofia de vida, prefiro Memento Mori
(“Lembra-te de que irás morrer”). Não tem pra quê essa generalizada aversão à
morte. Sem nenhuma morbidez, eu sinceramente acho Memento Mori uma frase
reconfortante e tranqüilizadora. Me faz lembrar o quão passageiras as coisas são. Apesar de a vida implicar muitas chatices que, independentemente do seu entusiasmo, precisam ser resolvidas, isso não merece tanto drama, preocupação, nem pressa. As
inquietações e urgências logo não serão nada.
Além disso, a constante lembrança da peremptoriedade da morte murcha o orgulho e a vaidade. A vida fica mais leve.
