quarta-feira, 18 de abril de 2012

Carpe Diem vs Memento Mori

          Carpe Diem, como quase todo mundo sabe, é uma supervalorizada frase em latim que significa “aproveite o dia/momento”. Muita gente a utiliza como filosofia de vida. Eu mesma já tentei, mas só consegui ficar angustiada.

Fica difícil levar a vida com base no Carpe Diem. Realizar com um mínimo de boa vontade e bom humor as obrigações cotidianas e chatas da vida já é bem complicado. Agora imagina o tal do Carpe Diem martelando na cabeça, te dizendo pra aproveitar o dia enquanto tem uma pilha de pratos pra lavar, uma pilha de livros pra estudar e outra pilha de cocô de hamster pra limpar.

Comigo, Carpe Diem é sinônimo de culpa diária. Esforçar-me pra ter sempre o dia mais produtivo e proveitoso e divertido é estressante. (Sei que isso provavelmente é fruto de uma má-interpretação da tal frase latina, mas é assim que ela funciona comigo e é disso que eu posso falar).

Se for pra escolher uma expressão latina como filosofia de vida, prefiro Memento Mori (“Lembra-te de que irás morrer”). Não tem pra quê essa generalizada aversão à morte. Sem nenhuma morbidez, eu sinceramente acho Memento Mori uma frase reconfortante e tranqüilizadora. Me faz lembrar o quão passageiras as coisas são. Apesar de a vida implicar muitas chatices que, independentemente do seu entusiasmo, precisam ser resolvidas, isso não merece tanto drama, preocupação, nem pressa. As inquietações e urgências logo não serão nada. 

Além disso, a constante lembrança da peremptoriedade da morte murcha o orgulho e a vaidade. A vida fica mais leve.